Você inicia agora uma
experiência de aprendizagem:
Ferramentas digitais para professores digitais
APRESENTAÇÃO
A evolução tecnológica permitiu avanços também no campo da educação, especialmente na ampliação de ferramentas auxiliares para o processo de ensino-aprendizagem. Neste curso, apresentaremos a você o uso dessas ferramentas para impulsionar a aprendizagem digital, discutindo a articulação dos recursos com a intencionalidade pedagógica e suas aplicações metodológicas. Além disso, indicaremos alguns dos principais instrumentos associados à sua finalidade.
A indicação e usabilidade das ferramentas é um ponto de atenção, uma vez que o impacto positivo nos processos de ensino-aprendizagem ainda depende da fluência digital dos professores, que, ao se apropriarem dos recursos tecnológicos, conseguem transpor seu capital de conhecimento pedagógico, de modo a reorganizar e criar experiências de aprendizagem mais ativas, dialógicas, desafiadoras e, consequentemente, mais representativas e conectadas às demandas da vida real.
Por onde começar?
O uso da tecnologia educacional para desenvolver o aprendizado dos estudantes não é um tema recente nas publicações associadas ao campo da educação. No entanto, é inegável que sua discussão foi potencializada em 2020, por conta da necessidade do ensino remoto, ocasionada pela pandemia de Covid-19.
Com isso, a provocação que propomos é a seguinte: é possível pensar a intencionalidade da prática docente a partir da utilização de recursos digitais? Quais demandas do processo de ensino-aprendizagem estão sendo atendidas e como o educador consegue diagnosticar e selecionar a melhor ferramenta para auxiliar os estudantes no desenvolvimento da aprendizagem?
Sabemos que novas competências docentes, sobretudo as que estão ligadas à fluência digital, têm sido requeridas para o professor 5.0, mas de que forma essa necessidade tem se revelado no processo de formação do docente? O que os professores têm buscado e como – haja vista o novo cenário de aprendizado em que são protagonistas –, constroem novos conhecimentos? A atual conjuntura nos convida a evidenciar quais instrumentos e recursos tecnológicos impactam positivamente as práticas pedagógicas do educador, gerando motivação e engajamento estudantil no decorrer das aulas.

Fonte: Freepik.
Quando pensamos no conceito de ferramenta, o que nos vem à mente é um conjunto de recursos ou objetos cujo foco é facilitar a execução de alguma tarefa. No contexto pedagógico, as ferramentas têm o objetivo de facilitar a aprendizagem e que, com a evolução tecnológica, precisam de disponibilidade e ampliação, para melhorar o processo como um todo. As questões que se põem, aqui, no entanto, são: como selecionar as melhores? Todas as ferramentas são adequadas às necessidades e aos objetivos apresentados no contexto educacional? Ao refletir sobre a infinidade de recursos disponíveis para melhorar a aprendizagem dos estudantes, por onde, então, devemos começar?
Do ponto de vista da gestão, é preciso avaliar se os inúmeros recursos ou plataformas a serviço no mercado são adequados e justificam os prováveis investimentos que, muitas vezes, requerem; se estão em sintonia com a missão e a filosofia da instituição; se atendem às questões demandadas pelo perfil do egresso; e se oferecem possibilidade de renovação permanente para acompanhar as inovações do mercado.
Em outras palavras, as plataformas ou recursos selecionados devem apoiar o desenvolvimento estratégico das instituições, bem como ser aderentes à proposta pedagógica institucional. Na busca por responder à pergunta “por onde começar?”, quando o assunto é ferramenta, listamos três aspectos fundamentais que precisam ser levados em conta. Observe-os a seguir.
Docentes têm muito a superar nesse processo, em especial na falta de familiaridade com a cultura digital, visto que que são imigrantes no universo on-line, enquanto seus alunos são nativos digitais. Assim, a evidência dessa hierarquia de saberes tecnológicos pode gerar insegurança no educador e resistência ao uso das ferramentas. A atenção a esses pontos é fundamental para prever o melhor plano de ação e intervenção na implementação de um recurso. Conseguir evidenciar os benefícios e como a tecnologia pode ser parceira e apoiadora do professor é essencial para conseguir uma utilização de sucesso, e é sobre isso que trataremos daqui por diante.
Neste curso gratuito da EducaSpace, você encontrará estratégias que podem ser adotadas em ambientes on-line e ser ótimas ferramentas de engajamento e motivação dos estudantes, independentemente da disciplina que leciona.
Ferramentas digitais
As ferramentas de aprendizagem, além de associadas a uma metodologia, também cumprem uma finalidade, por exemplo: realização de diagnóstico e avaliação, repositório e design de conteúdo, encontros virtuais, gerenciamento de tempo e tarefas, interatividade, cooperação, entre outros. Veja, a seguir, algumas sugestões de utilização de recursos digitais associadas a essas finalidades.

@ramcreative em Freepik
Ferramentas de aprendizagem
Na corrida contra o tempo, a fim de garantir o andamento das atividades pedagógicas, escolas e universidades buscaram diferentes recursos para adaptar suas metodologias para o sistema remoto durante a pandemia da Covid-19. O consórcio STHEM Brasil (2020, on-line), com mais de 15 mil professores associados, realizou uma pesquisa com os gestores de 46 Instituições de Ensino Superior (IES) no período entre 5 de abril e 5 de maio de 2020, a fim de conhecer quais plataformas as instituições adotaram durante a pandemia. As três mais mencionadas foram Google, Blackboard e plataformas próprias, porém metade afirmou utilizar mais de uma plataforma simultaneamente.
Esses estudo mostra como a urgência na resolução de um problema exige adaptações com os recursos disponíveis no momento. Redes sociais são um exemplo disso. Segundo o Instituto Península (2020, on-line), em pesquisa realizada com 7.773 professores, 83% dizem utilizar o WhatsApp como forma de contato com os estudantes no período da pandemia. Além disso, 74% informaram que gostariam de receber formação na área do ensino a distância. Esse movimento levou os docentes a buscar por autoformação na própria web.
A União Europeia desenvolveu um teste que mapeia as competências digitais dos educadores em seis níveis de proficiência. Para saber como está a sua competência digital, confira a seguir. O formulário também está disponível em português.
Autonomia autoral docente digital
A partir de agora, discutiremos sobre o indivíduo que quer se fazer digital, encontrando relevância no conteúdo e nas suas escolhas tecnológicas e metodológicas. Trata-se da Autonomia Autoral Docente Digital (AADD). Veremos sobre esta proposta de autonomia e, assim, entenderemos como o ser autônomo pode melhorar sua capacidade autoral digital, para que se torne um bom educador.
Começaremos com o seguinte pensamento, e você pode nos acompanhar: “viver é ter história para contar!”. Lembra-se de um fim de semana, desde a experiência da escola infantil até o trabalho, quando você, no fim de semana, viveu algo muito divertido, como ir ao cinema, fazer alguma atividade em família ou brincar com seus amigos? Enfim, segunda-feira no primeiro horário, você pensou: “vou chegar um pouquinho mais cedo, para dividir com os amigos um pouco das minhas aventuras!”. No trabalho, por exemplo, não é assim quando você volta das férias e está cheio de histórias para contar? Sente-se cheio de vida, não é? Viver é compartilhar histórias, e a autonomia autoral significa exatamente isto: ser autor(a) de uma aula, de uma fala ou de um áudio.

Fonte: Freepik.
Desenvolver o enredo e a narrativa de uma história é um desafio, e o primeiro cuidado é prestar atenção no diálogo. É necessário pensar em um interlocutor a todo momento e, principalmente, na estrutura em formato de hipertexto, permitindo que ele tenha navegabilidade. Isso quer dizer que as estruturas de desenvolvimento textual devem considerar o outro. Acabamos de fazer isso, não foi? Convidamos você para a responsabilidade e, assim, para conectá-lo(a) ao seu interlocutor! Quando você conecta o interlocutor, tendo de um lado o texto ou a câmera, um recurso digital, você consegue trazê-lo para mais perto da imersão, da narrativa que faz sentido e significado.
Dez características da autonomia autoral docente
- Dialogia: Produza texto em formato dialógico e pessoal.
- Narrativa: Compartilhe suas experiências, histórias e vivências.
- Significado: Mapeie conhecimentos prévios e encontre o que faz sentido.
- Problematização: Questione, provoque e desenvolva o espírito investigativo.
- Curiosidade: Provoque a curiosidade e vontade de aprender.
- Edição: Apresente o conteúdo em diferentes formatos e designs.
- Publicação: Crie canais, compartilhe e exponha.
- Interação: Promova o contato, o diálogo e a troca.
- Compilação: Faça uma curadoria e crie seu próprio portfólio.
- Mentoria: Observe os problemas e apoie na construção de soluções.
Dialogia
Desenvolva o texto em um formato dialógico, no qual você se comunique com o interlocutor de forma pessoal. Isso deixará seu texto mais atraente e empático. Além disso, estruture em forma de hipertexto, para permitir navegabilidade.
Narrativa
Se toda segunda-feira é um dia para contar boas histórias do que foi vivido no fim de semana, as narrativas devem fazer parte das locuções autorais. Assim, trazer um pouco daquilo que você viveu e desenvolveu na experiência profissional transferirá para o outro uma certificação do que está estruturado e dará autoridade. Lembramo-nos, por exemplo, que, ao dar aulas em cursos de Pedagogia, fazíamos narrativa sobre os desafios da docência e, imediatamente, conectava os estudantes das licenciaturas àquilo que tinha sido ou viria a ser uma experiência para eles.

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Significado
Outro importante elemento é o significado. Perceba que o que interessa e fará sentido para o estudante é aquilo que também o conecta à sua história de vida. Então, ter autonomia autoral é isto: encontrar o que dá sentido à experiência, conectando-a ao seu interlocutor.
Problematização
Uma das estratégias que você precisa desenvolver para melhorar a autonomia autoral é saber problematizar. Nunca deixe de fazer questionamentos. Problematizar é criar provocações, gerar inquietações no seu interlocutor, iniciar um texto ou, no meio dele, desenvolver estratégias para reconectar, que é o ocorre quando fazemos uma pergunta.
Por exemplo: “você já parou para pensar que, quando um texto é muito enfadonho e conceitual, a sua mente desvia a atenção? Porém, quando aparece uma pergunta que o(a) conecta de novo e o(a) traz de volta para a leitura, para o entendimento, você volta a ficar mais focado?”.

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A problematização é fundamental, pois:
- ao iniciar, você começa um caminho de curiosidade;
- no meio, é estratégia para você voltar a chamar ao engajamento;
- ao final, para remeter uma reflexão ainda mais profunda daquilo que foi discutido.
Curiosidade
A quinta estratégia é a curiosidade. Se, na sua fala, você não conseguir conectar e deixar o seu interlocutor curioso, é possível que não se instale nele a vontade voluntária de conhecer. A vontade voluntária tem a melhor estrada do aprender, e a autonomia autoral digital ocorre quando trazemos componentes que geram curiosidade, tanto por meio de ilustrações quanto por elementos conectados pelo significado da problematização. No enredo, essa narrativa traz a importância da estrutura do texto.
Edição
Quando falamos de AADD, saber editar, baixar um arquivo, fazer cortes, desenvolver e querer pesquisar programas permitem estruturar o que está sendo organizado é um desafio e tanto! Em plataformas como Google e YouTube há uma infinidade de tutoriais gratuitos, então procure aprender a editar textos, vídeos, imagens e infográficos.

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Publicação
Saber publicar é importante, assim como criar canais e grupos de interesse e utilizar as redes sociais não só para o entretenimento, mas também para conectar-se com outros grupos. As pessoas, ao encontrarem suas publicações, mesmo que breves ou pequenas, ajudarão a criar uma autoridade de conhecimento na sua área.
Interação
Um dos maiores valores para quem está em processo de aprendizagem é interagir com quem sabe. Portanto, crie canais de comunicação que favoreçam o diálogo, para novamente publicar e interagir. Apenas publicar e não voltar à postagem, não fazer provocações, interações para responder as interlocuções dos colegas e gerar outros movimentos a partir daquilo que você está construindo, pode, mais uma vez, esterilizar e ficar empoeirado. Assim, criar movimentos de interação é uma estratégia fundamental para sua autonomia autoral digital.

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Compilação
Saber compilar é saber organizar conteúdos que estão disponíveis. Outro termo amplamente utilizado é curadoria. Existe muito material disponível na internet, mas é necessário fazer uma curadoria daquilo que é convergente com os temas que você escreve, desenviole, altera, constrói ou grava. A compilação de conteúdos ajudará a criar um acervo, que você qualifica como oportuno ou não para o aprofundamento de quem o(a) acompanha.
Mentoria
Posicione-se como mentor(a), como quem quer ajudar, construir e compartilhar as principais dicas do saber e do fazer. Um mentor é aquele que caminhou, vivenciou e aprendeu e, com isso, compartilha tanto na forma de mentoria quanto na conexão de histórias e caminhos que se aproximam do outro, daquele que quer desenvolver.
Pensando no autodesenvolvimento docente just in time, o EducaBox foi idealizado por professores e profissionais da educação dispostos a organizar e sistematizar conteúdos relevantes para o aperfeiçoamento das principais competências docentes, de modo a promover, gratuitamente, micromomentos de formação. No formato microlearning, o aplicativo ajuda professores a se conectarem com ideias, teorias, conceitos e referências de forma rápida e fácil.
Não deixe de conferir!
Quais ferramentas você utiliza em sala de aula
Nessa conversa vamos falar mais sobre o uso das ferramentas digitais por professores. Desafios, oportunidades e conceitos.
REcapitulando
- Para começar, é necessário: conhecer a identidade metodológica; identificar a intencionalidade pedagógica; e reconhecer a importância da formação docente.
- As ferramentas digitais envolvem:
- diagnóstico;
- design;
- webconferência;
- gestão do tempo;
- interatividade;
- repositórios;
- gravação de tela.
- A Autonomia Autoral Docente Digital (AADD) compreende:
- dialogia;
- narrativa;
- significado;
- problematização;
- curiosidade;
- edição;
- publicação;
- interação;
- compilação;
REFERÊNCIAS
STHEM Brasil. Panorama das IES consorciadas no contexto da pandemia. STHEM Brasil, maio de 2020. Disponível em: https://www.sthembrasil.com/.... Acesso em: 19 out. 2021.
INSTITUTO PENÍNSULA. Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios de Coronavírus. Instituto Península, 31 de março de 2020. Disponível em: https://institutopeninsula.org.br/.... Acesso em: 19 out. 2021.